sábado, 11 de junho de 2011

NOTA DE CANCELAMENTO DO XXXI ENEH - FLORIANÓPOLIS

Viemos através desta nota justificar a não realização do Encontro Nacional dos Estudantes de História (ENEH) no ano de 2011 em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).  É com muito pesar que a Comissão Organizadora do ENEH (COENEH), juntamente, com o Conselho Nacional de Entidades de História (CONEHI), realizado em Aracajú na Universidade Federal de Sergipe (UFS), nos dias 03 a 05 de Junho de 2011 faz esse anúncio.
Esperamos contar com a compreensão de todos/todas os/as estudantes e a manutenção do comprometimento na construção do Movimento Estudantil de História na difícil conjuntura que enfrentamos, intensificada pelo cancelamento do Encontro, ou seja, se faz nesse momento, mas do que nunca, necessária a colaboração na construção da Federação do Movimento Estudantil de História (FEMEH). Abaixo pontuaremos os principais motivos que levaram o Conselho e a COENEH a tomarem essa difícil decisão.
  1. Histórico da COENEH:
                Foi deliberado na plenária final do XXX ENEH realizado em Fortaleza na Universidade Estadual do Ceará (UECE), que o XXXI ENEH seria realizado em Florianópolis. Desde então a COENEH vem trabalhando na construção do encontro. No segundo semestre de 2010, foram pensadas grande parte das questões estruturais do encontro, tais como alojamento, alimentação, segurança, limpeza, banheiros, etc. Foi a partir do CONEHI realizado em Curitiba na Universidade Federal do Paraná (UFPR) nos dias 20 e 21 de dezembro de 2010 que a cara do encontro foi melhor delineada. Isso faz parte de um acúmulo da federação, onde o encontro não é fruto somente da construção da COENEH, mas de um esforço coletivo de formulação e prática de toda a federação. Lá foi definido por centros acadêmicos de todo o Brasil a programação a ser levada a cabo no encontro, abrindo-se espaço para avanços maiores na sua organização. A partir de então foram trabalhados contatos com os palestrantes, garantia de espaços para a realização das palestras e grupos de discussão, bem como o contato com as escolas do país para a articulação de cadernos de textos para os pré-ENEHs, construção do curso de coordenadores e o acompanhamento do andamento do encontro como um todo.
                Durante o primeiro semestre desde ano várias dificuldades foram surgindo em pontos que já estavam garantidos o que fez com que houvesse uma alteração significativa no calendário de planejamento da COENEH, se voltando a coisas que já estavam certas para o encontro e atrasando outras, como, por exemplo, o site do evento e a abertura das inscrições. Passaremos agora a descrição desses contratempos citados.
  1. Corte de verbas do Governo Federal na Educação
 Em março de 2011, ou seja, no início do semestre letivo na UFSC recebemos a notícia, assim como todo o Brasil, de um corte de 50 bilhões para gastos sociais. Destes 1,3 bilhões se referiam somente a Educação Superior. Esse corte tem afetado o cotidiano das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) em todo o país. Escolas estavam com dificuldades de articular ônibus para o Encontro e ao mesmo tempo a COENEH recebeu uma diminuição, quase que total em várias das garantias de custeios dadas pela Reitoria da universidade. Essa redução de apoio financeiro se fundamentava neste corte. Perdemos todas as diárias e passagens dos palestrantes que viriam para o encontro, bem como, chuveiros e banheiros químicos, kits para os encontristas, camisetas, segurança e limpeza, dentre outros.
Dadas as condições materiais que nos foram postas, totalmente diferentes das até então conquistadas para o encontro a COENEH se debruçou em um constante trabalho de buscar alternativas para o financiamento deste.
  1. Gastos
Mesmo com essas condições adversas a COENEH, nessa constante busca por financiamentos alternativos continuava fortemente centrada na construção para a realização do encontro. A menos de um mês da presente data nos foi informado pela Administração do Restaurante Universitário que o mesmo fecharia para manutenção entre os dias 23 de julho a 7 de agosto, coisa que não acontecia antes, o R.U. permanecia funcionando normalmente no recesso de inverno. Dado este novo fator atuamos em duas frentes, uma em fazer orçamentos e buscar formas de alimentação sem o R.U, outra, em negociar com a Reitoria para que o restaurante permanecesse aberto na data do evento, já que o mesmo havia sido comunicado desde de setembro de 2010 a universidade. Essas negociações foram exaustivas, inclusive membros da Coordenação Nacional da FEMEH estiveram envolvidos presencialmente em algumas dessas reuniões. Esgotando totalmente a possibilidade do R.U. ficar aberto, mesmo que só em uma parte do evento, analisamos os orçamentos das empresas, sendo que antes entramos em contato com movimentos sociais e iniciativas como a Economia Solidária para articular a alimentação onde não obtivemos sucesso, já que Florianópolis não conta com esse tipo de organização.
A questão da alimentação somada às conseqüências do Corte da Educação trouxeram uma difícil realidade a ser enfrentada pela COENEH e pela FEMEH, o valor do encontro tornar-se-ia muito alto. A inscrição com alimentação pensada em um número de 2000 pessoas ficaria em torno de R$ 215,00 sendo que caso esse número de inscrições não fossem feitas o encontro teria um enorme prejuízo. A inscrição sem alimentação ficaria em torno de R$ 100,00, pois teríamos que arcar com praticamente todos os gastos do encontro, inclusive o espaço físico das plenárias que é cobrado para as atividades da comunidade universitária, na verdade, uma enorme caixa preta dentro do campus (Centro de Cultura e Eventos).
Vimos que seria inviável realizar o encontro sem o R.U. ou sem alimentação dado que os restaurantes do entorno não comportariam o número de pessoas do encontro, tendo em vista ainda que o custo de vida de Florianópolis é muito alto, uma das capitais brasileiras mais caras de se viver. Nesse sentido pensamos na mudança de data, em antecipar o evento em uma semana, tendo assim o restaurante aberto. Alguns problemas impossibilitaram que isso fosse feito, dentre eles: se antecipássemos o encontro, não teríamos alojamentos, pois eles seriam feitos em salas de aulas que não estariam liberados nessa data, os palestrantes que viriam para o encontro estarão, assim como vários estudantes no Simpósio Nacional de História da Associação Nacional de História (ANPUH), este ponto ainda impossibilitaria várias delegações que conseguiram ônibus em suas universidades, mesmo com dificuldades, que não poderiam coincidir com o Seminário Nacional de História, já que, com o Corte a prioridade de ônibus são os eventos acadêmicos.
Outro ponto que dificultou a articulação estrutural do evento foi a proibição de festas no campus universitário. Isso intensificou os gastos, já que teríamos que alugar lugares para realizar parte das culturais, pois mesmo com a proibição conseguimos negociar e conquistar metade das culturais no campus. Esse ponto afeta o bom andamento dos espaços de integração e socialização dos encontristas.
  1. Concepção de Encontro
Dentro da construção da federação, lembrando que o ENEH é parte fundamental de sua organização, sendo seu espaço máximo de deliberação, criamos uma concepção de Encontros. Fazer um encontro com altos custos tendo que passar isso para o valor das inscrições elitizaria demais o público do evento, sem contar com a redução de participantes que ocasionaria uma imensa dívida para a FEMEH.
Elitizar o encontro dessa forma, tendo em mente a realidade dos estudantes de história em nosso país seria no mínimo contra toda a concepção que temos de encontro, sendo ele um espaço que articula o viés acadêmico, político e cultural possibilitando uma ampla participação de todos e todas que queiram estar nesse espaço.
  1. Universidades e Encontros
É importante lembrar que as universidades brasileiras não possuem políticas e estrutura para realização de encontros de estudantes. As universidades não dão estrutura e nem incentivo para que esse tipo de atividade aconteça, sendo que para ela não é conveniente que o movimento estudantil tenha amplos espaços de discussão, acumulo e integração, já que geralmente são nesses espaços onde o movimento formula suas bandeiras de luta e sua organização em si que nem sempre está de acordo com os interesses das Reitorias e governos. Nos últimos dois anos vemos que essa falta de política vem se intensificando, na verdade ela não é uma falta inocente e sem motivos, faz parte de uma concepção de universidade que não passa pela inclusão desse tipo de espaço, ou seja, essa dificuldade de construção dos encontros não é uma coisa isolada mais sim estrutural. A falta de comprometimento da Administração Central da UFSC com a realização do ENEH é uma prova disso, onde são dadas várias garantias e de última hora elas são cortadas, em parte pelo Corte de verbas, mas também por um não comprometimento com a federação, com o movimento e, sobretudo, com os estudantes de história de todo o Brasil.
  1. Rumos e Seminário de Formação Política
Em uma realidade onde o XXXI ENEH não é possível de se realizar em julho de 2011 temos a necessidade de pensar como garantir uma organicidade mínima da federação e o Movimento Estudantil de História para este ano e a rearticulação do XXXI ENEH. Nesse sentido a COENEH, juntamente com a FEMEH, vê a necessidade de um espaço de articulação em julho de 2011. É importante ressaltar que o Seminário de Formação Política, proposta que realizaremos, não estará em momento algum substituindo o ENEH, mas estará organizando a próxima escola sede e toda organicidade da federação.
O Seminário de Formação Política (SFP) acontecerá de 18 a 24 de julho de 2011 em Florianópolis tendo um número máximo de 300 pessoas, vagas essas que serão indicadas e articuladas via Centros e Diretórios Acadêmicos. A programação, bem como demais informações sobre o SFP poderá ser encontrado no site da FEMEH em breve, porém desde o presente momento as escolas aqui presentes vão articular as demais para que participem do Seminário. No final do Seminário haverá um CONEHI que deliberará sobre o ENEH e demais demandas.
É importante que até o SFP as escolas estejam vendo a possibilidade de realizar o XXXI ENEH e ao mesmo tempo se articularem para participar do Seminário e CONEHI.
Mais uma vez pedimos a compreensão de todos e colaboração na construção efetiva do Movimento Estudantil de História para garantir sua continuidade organizativa assegurando assim que atividades como o Encontro Nacional continuem acontecendo de forma contínua e qualitativa.
Comissão Organizadora do XXXI Encontro Nacional dos Estudantes de História (COENEH)
Conselho Nacional de Entidades de História (CONEHI)
Centro Acadêmico Livre de História (CALH/UFSC)

Aracaju, 6 de Junho de 2011.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vitória dos Estudantes: Ocupação da UFS conquista avanços junto ao MPF


Reunidos há mais de cinco horas junto ao Ministério Público Federal, os estudantes de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe arrancaram avanços significativos em todas as pautas apresentadas. A audiência ocorreu na noite desta quarta-feira, 8 de Junho, e contou com a presença do Vice-reitor da UFS, Ângelo Antonioli, o procurador do MPF, Pablo Coutinho Barreto, uma comissão de professores do Departamento de Comunicação Social.

Os estudantes conquistaram prioridade máxima na contratação de professores substitutos e efetivos, aquisição de equipamentos e materiais. A administração dos espaços laboratoriais passa para as mãos do Departamento de Comunicação Social, as salas de projeção audiovisual já estarão encaminhadas para este semestre. A reitoria deverá entregar o prédio do Complexo de Comunicação Social até o mês de Setembro de 2012.

Com relação a Radio UFS ficou acertada uma audiência pública, que terá a função de rediscutir a estrutura de funcionamento da emissora e seu conselho administrativo. O limite de tempo de programação não será utilizado com critério de confecção do edital, o que abre a possibilidade de qualquer estudante apresentar uma produção mais significativa. “A democratização da Radio UFS será nossa pauta permanente daqui para os próximos tempos, os avanços conquistados junto ao MPF foram cruciais para a concretização desta luta”, afirmou Pedro Alves, estudante de Comunicação da UFS.

Na manha desta quinta, 9, os estudantes realizarão uma Assembléia junto aos estudantes do curso de Comunicação Social no Hall da reitoria, a fim de deliberar os encaminhamentos da campanha “Chega de Migalhas!”. Enquanto a comissão de estudantes ocupados estavam em reunião na sede do MPF, os demais estudantes ocupados realizaram uma Assembléia Geral dos Estudantes da UFS. Em assembléia, centenas de estudantes reunidos decidiram ampliar a campanha “Chega de Migalhas” para toda UFS, aglutinando uma série de cursos de diversos centros da instituição.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

AVISO IMPORTANTE: ULTIMAS INFORMAÇÕES SOBRE O CONEHI

Pessoal, como haviamos informados está havendo na UFS a ocupação da Reitoria por parte dos estudantes de comunicação social, alguns CA's DA's e CO's. Essa ocupação é fruto de mobilizações contra o processo de precarização que o curso está passando (Falta de laboratórios professores, e perspectivas de solucão) 
O DALH, em apoio e solidariedade aos companheiros está construindo este processo por acreditarmos que a luta em defesa da educação deve ser o papel de todo e qualquer movimento estudantil combativo. 
Nesse sentido avaliamos necessário a ocorrência do CONEHI no espaço onde está havendo a ocupação.Ou seja Reitoria localizada na Avenida Marechal Rondon, SN, Jardin Rosa Elze, Cidade Universitária Prof José Aloísio do Campos. São Cristóvão - SE
Além de evidenciarmos o nosso apoio, esta mobilização pode contribuir bastante para o nosso processo de construção de uma FEMEH combativa. 

abaixo as informações de como chegar ao campus da UFS:


Pela rodoviária: vai ao terminal de integração que fica em frente a rodoviária e pega as seguintes opções de ônibus no sentido Campus: Padre pedro/campus, Santa Maria/Campus, Tijuquinha/ Osvaldo Aranha, Eduardo Gomes/Zona Oeste, Luis Alves/Zona Oeste, Campus/ Hospital Universitário, Tijuquinha/Zona Oeste. 


Pelo Aeroporto:  Vai ao ponto de ônibus que fica em frente ao aeroporto e pega no sentido DIA: Aquario/DIA, ao chegar no terminal de integração do DIA Pega no sentido Campus: Padre Pedro/Campus, Santa Maria/Campus.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ocupação da REItoria da UFS, um panorama geral e o papel do DALH

         Nesta ultima segunda Feira, 30 de Maio, os estudantes de Comunicação Social, articulado com alguns Centros Acadêmicos Diretório Acadêmico e Coletivos Organizados decidiram por unanimidade  em Assembléia a ocupação da REItoria da Universidade Federal de Sergipe. Esta decisão é fruto de um processo de mobilização contra as precarizações existentes no curso. A falta de estrutura (laboratórios, equipamentos etc) somado a falta de professores e de  interesses dos orgãos administrativos da universidade em resolver esses problemas, foram cruciais para a efetivação desse ato.

         Desde a ocupação as mobilizações vêm recebendo apoio de várias entidades locais e nacionais e de professores que expressam sua solidariedade de diversas formas.O Professor Antônio Pedro do departamento de história, por exemplo, lecionou a sua ultima aula de história da educação, no local onde a ocupação estava acontecendo mostrando a solidariedade e seu apoio ao movimento. 


Sabemos que esses problemas existentes no curso de comunicação é fruto de uma expansão que não garante as condições para que tenhamos uma educação pública gratuita e de qualidade. Não é apenas esse curso que passa por problemas graves, e a realidade do ensino superior no Brasil está cada vez pior. O DALH está ocupado e apoia estas mobilizações por acreditar que a luta em defesa da educação deve ser papel de todos os estudantes, fazemos um chamado aos estudantes de história da UFS a se somar nessa luta.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Estudantes de Ed. Física em Ato Contra o Atraso de 3 anos nas Obras do DEF

ESTUDANTES DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UFS REALIZARÃO MAIS UM ATO NESTA QUINTA-FEIRA, 19/05, ÀS 13:00 horas, NA PRÓPRIA UNIVERSIDADE, CONTRA O ATRASO DE 3 ANOS NAS OBRAS DE REFORMA DO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA!

A Universidade Pública passa por mudanças ano a ano. Atualmente vivemos um período de expansão, reestruturação das estruturas curriculares dos cursos, a tal “reforma universitária”...
Essas mudanças transformaram a UFS em um celeiro de obras, não que isso seja ruim, mas na verdade existem problemas por trás de tudo isso, como a falta de professores e até mesmo a falta de salas de aulas. E no departamento de educação física não é diferente, além desses problemas, ainda enfrentamos um atraso na conclusão das obras de reforma do departamento, no qual estamos sem piscina, sem sala de lutas e outras estruturas há 3 anos.

Entendendo que a falta de estrutura no DEF, sucateia cada vez mais a formação, pois implica no tripé: ensino, pesquisa e extensão. Em que fragiliza o ensino na medida em que não temos mais acesso a essas estruturas; quebra a pesquisa, pois os grupos de pesquisa, os professores e os estudantes não têm condições de desenvolver seus estudos; e acaba com a extensão quando não garante que toda a comunidade tenha acesso às práticas corporais, esportivas, culturais e de lazer. E ainda que a precarização da nossa formação não se dá apenas por problemas estruturais locais, se dá também através da implementação da proposta de Diretrizes Curriculares, que fragmenta o curso de formação de professores de Educação Física.

Então os estudantes voltam a se mobilizar e decidem fazer um ato simbólico com uma “festinha de aniversário” de 3 anos de atraso nas obras, nesta quinta feira, 19/05, às 13:00 horas, no Departamento de Educação Física.

Contamos com sua presença!!!

Vamos nos mobilizar já pela melhoria da Universidade!

NÃO AO ATRASO DAS OBRAS DO DEF!
NÃO A PRECARIZAÇÃO DA NOSSA FORMAÇÃO

 
Centro Acadêmico de Educação Física
Gestão - Educação Física é Uma Só!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Marcha da Maconha faz apologia ao crime ou sua proibição é que faz apologia ao autoritarismo?

Julio Delmanto


Que as chamadas “drogas”, sejam legais ou ilegais, não têm vida própria e que seus efeitos dependem da forma como são usadas, sendo as políticas de drogas brasileiras as responsáveis pela violência do Estado e do crime já é um entendimento cada vez mais difundido.

Defender tais políticas é defender a manutenção do status-quo, é defender que um mercado com altíssima demanda não tenha qualquer regulamentação e seja controlado pelo crime, é dar ao Estado mais um instrumento de criminalização da pobreza, assassinato seletivo e corrupção, é acreditar na repressão e na mentira como ferramentas educativas e de saúde e aceitar o cínico discurso intervencionista estadunidense.

Defender a proibição das drogas é fazer apologia à violência.
É sobre isso que nós, militantes do que é chamado de movimento antiproibicionista, estamos acostumados a debater, é sobre isso que gostaríamos de conversar de maneira franca e séria com a sociedade brasileira, principalmente com aqueles interessados em provar na prática que um outro mundo de fato é possível.
Mas infelizmente enquanto o mundo discute alternativas às fracassadas políticas de drogas, no Brasil ainda lutamos para… poder debater o tema! O artigo 5º de nossa cada vez mais desmoralizada Constituição diz que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”; que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta”. Mais adiante, aponta também que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Também temos no documento supostamente mais importante de nossa República um ponto onde se diz que “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente” e outro que diz que “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar”.

Por que isso vale para os manifestantes neo-fascistas e homofóbicos que se reuniram recentemente debaixo do vão do MASP, sob proteção policial, para apoiar o nefasto Bolsonaro e não vale para a Marcha da Maconha, movimento que propõe exatamente discutir alternativas que retirem da ilegalidade uma conduta?
A Marcha da Maconha é um movimento anônimo ou o são policiais e juízes que interpretam a lei como bem entendem e nunca são chamados a se justificarem publicamente sobre isso? A Marcha da Maconha exime-se de obrigações legais ou usufrui da liberdade de manifestação do pensamento para propor a existência de outras leis? A Marcha da Maconha necessita de licença para exercer sua livre expressão?A Marcha da Maconha frustra outras reuniões? As “autoridades competentes” não são informadas ano após ano de sua realização? É uma organização paramilitar? Sob quais bases o poder judicário brasileiro proíbe a realização de uma manifestação pacífica em algumas regiões enquanto em outras ela acontece normalmente?

Diz-se que a Marcha faz “apologia às drogas”. Em primeiro lugar, não existe esse delito previsto em lei, e sim o de apologia ao crime, que é o disfarce utilizado pelo o conservadorismo preconceituoso e medieval dos nossos agentes da lei, fiscais dos corpos e ideias da população.

A apologia ao crime se caracteriza legalmente pela defesa pública de fato criminoso ou de autor de crime condenado pela Justiça. A Marcha da Maconha existe para defender a mudança da lei brasileira de drogas, isso é um fato criminoso? Fazem apologia ao crime órgãos de imprensa que debatem o tema? Políticos que se expressam publicamente propondo mudanças na lei? Acadêmicos, artistas, juristas e juízes que têm opiniões sobre a questão? Por que debater políticas de drogas é permitido na mídia, no parlamento e na academia e nas ruas não?
Ou é nosso poder Judiciário que faz apologia ao autoritarismo e ao totalitarismo? A situação encaixa claramente com o que aponta Norberto Bobbio, ao mostrar como o “autoritarismo é uma manifestação degenerativa da autoridade”, é “uma imposição da obediência e prescinde em grande parte do consenso dos súditos, oprimindo sua liberdade”. E também infelizmente flerta com o que traz Hannah Arendt ao afirmar que o totalitarismo “não substitui um conjunto de leis por outro, não estabelece o seu próprio consensus iuris, não cria, através de uma revolução, uma nova forma de legalidade”; a política totalitária simplesmente busca, através da ideologia e do terror, suprimir a diferença até que a lei não seja necessária, até que a liberdade não seja nem mais pensada como tal.

Nossas ruas pertencem à Polícia e ao Judiciário ou ao povo? Pensar, dialogar, atuar, manifestar, botar a cara à tapa, são atitudes criminosas?
Se sim, senhores juízes, não tragam viaturas, tragam ônibus, porque muita gente estará no MASP no dia 21 de maio, esperando pacificamente mais uma aula pública de violação da Constituição e da Democracia.

Júlio Delmanto é jornalista, mestrando em História Social na USP, membro dos coletivos antiproibicionistas Desentorpecendo a Razão (DAR) e Marcha da Maconha


FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/6342

Lançamento História & Luta de Classes - Violência e Criminalização


HISTÓRIA & LUTA DE CLASSES – NÚMERO 11
Violência e Criminalização
 Organizadores: Cláudia Trindade, Enrique Serra Padrós, Gelsom Rozentino de Almeida e Rômulo Costa Mattos
 

DOSSIÊ  VIOLÊNCIA E CRIMINALIZAÇÃO

Fabricando o consenso e sustentando a coerção: Estado e favelas no Rio de Janeiro contemporâneo
Marcelo Badaró e Romulo Mattos

A Violência no Rio de Janeiro: perdas e possibilidades
Gelsom Rozentino de Almeida

Projetos sociais para jovens moradores de favelas: criminalização e violência
Lia de Mattos Rocha

Sob o leito de procusto: judiciário e a criminalização da miséria
Fernanda Vieira

O presente e o passado na história da criminalização dos movimentos sociais dos trabalhadores rurais de Fernandópolis: o “Levante de 1949"
Vagner José Moreira

Estado de Segurança Nacional e oposição armada: Brasil em tempos de trevas
Dulce Portilho Maciel

Os Estados Unidos e o Fomento ao Mercenarísmo (2001-2009)
Alexandre Arienti Ramos


TRADUÇÃO

A Mirada Neozapatista: Olhar (para e desde) baixo e à esquerda
Carlos Antonio Aguirre Rojas(autor)
Trad: Caio Graco Cobério


ARTIGOS

Aspectos da relação do PCB com a Internacional Comunista há 90 anos de sua fundação
Carlos Zacarias de Sena Júnior

Sonho Diurno e Utopia no Princípio Esperança de Ernst Bloch
Silvia Sônia Simões

A teoria marxista da História e as sociedades pré-capitalistas
Vicente Gil da Silva

Por uma crítica da razão histórica: o capítulo das bifurcações na concepção da história em Daniel Bensaïd
Denni Irineu Alfaro Rubbo



 RESENHA
O papel do Estado e a crise neoliberal
Rafael Carucci



Aproveitamos para divulgar o sítio eletrônico da revista, na qual estão disponíveis as quatro primeira edições, além de diversas outras informações sobre a revista, no endereço www.projetoham.com.br